Direito à Inclusão
Unidade 1
Recebi o aluno Mikael na Escola Estadual Caetano Gonçalves da Silva, no município de Esteio, em abril de 2007, transferido de uma escola municipal.
Ele chegou na sala de aula acompanhado da mãe e após recebê-lo percebi imediatamente que tinha sérios problemas.Mikael na época com 13 anos apresentava deformidade no crânio como se esse não tivesse se desenvolvido em proporção ao corpo.Tinha o desenvolvimento físico atrasado em relação a idade cronológica.
Durante os dias que se seguiram e mediante das dificuldades na aprendizagem e relacionais, solicitei aos pais que viessem à escola para que eu pudesse conhecer as dificuldades , quais eram os comprometimentos que ele realmente tinha, se fazia acompanhamento, para que conhecendo o problema eu pudesse me situar e melhor ajudá-lo.
Foram muitas as tentativas de trazer a família até a escola.Todas em vão.Busquei ajuda na direção e através do Conselho Escolar conseguimos a presença do pai que, quando questionado ,acusou a mim e a direção de estar discriminando o filho, que ele sempre fora assim, que a doença estava na cabeça das professoras.Ameaçou tirar o menino da escola, caso insistíssimos em relatar para o Conselho Tutelar.
Diante dessa atitude, de não aceitação das dificuldades do Mikael ,me senti sozinha e impotente, pois pensei que o preconceito só existisse por parte de alguns alunos da escola e me chocou muito a família manter o menino longe de um atendimento médico e psicólogico adequados.
Em sala de aula ele desenhava o tempo todo e conversava sozinho.Muitas vezes agredia os colegas inesperadamente.
Ele gostava de desenhar carros, os dedicava para mim dizendo sempre que me amava.Os progressos foram poucos, procurei atingí-lo, despertar sua curiosidade, dar afeto, mas muitas vezes não conseguia ser entendida por ele.
Alguns colegas da sala tentavam brincar com ele, outros demonstravam medo, porque ele se tornava violento.
Diante da inoperância dos pais, que estavam separados, comunicamos o caso ao Conselho Tutelar para que os mesmos fossem responsabilizados e diante de nossa atitude, o pai retirou o menino da escola.
Para mim o que fica é uma sensação de vazio, pois a turma era repleta de alunos, sem espaço adequado e eu me senti despreparada para ajudar dignamente aquela criança.Ainda esses dias, recebi tristes notícias dele, está com 16 anos, não frequenta a escola e fica sozinho em casa.
Política de Inclusão Escolar
Unidade 2
A Escola Estadual de Ensino Médio Caetano Gonçalves da Silva atende a clientela do 1º ao 9º ano, EJA- Ensino Médio contemplando as totalidades 1, 2 e 3.
A escola possui em média 980 alunos e 42 professores.
A Sala de Recursos destinada ao atendimento de alunos deficientes visuais e de baixa visão foi fechada em novembro de 2008, segundo a 27º Coordenadoria de Educação porque a demanda de alunos atendida era insignificante causando prejuízos esse atendimento, onerando dessa forma os cofres do Estado.Os alunos foram remanejados para atendimento em outro Município.
Os alunos apresentam as mais diferentes necessidades especiais como:baixa visão,transtornos globais,problemas emocionais e psicológicos, abusos, violência doméstica, dislalia e dislexia e déficit de atenção.
A direção da Escola quando comunidada pelo professor da classe dessas dificuldades, chama os pais ou responsáveis, encaminhando o aluno para a assistência que o Município oferece, o acompanhamento realizado pelo profissional habilitado passa por uma fila de espera e muitos desistem.Os poucos alunos que possuem condições financeiras pagam pelo tratamento especializado.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Ncional-1996 preve:
CAPÍTULO V- DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
Art.58 § 1º Haverá quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender peculiaridades, da clientela da educação especial.
Art. 59- Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais:
I- currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender as suas necessidades.
Analisando e realizando as leituras referentes ao que a Lei determina e a realidade que a escola oferece, percebo ser a inclusão um processo utópico na realidade escolar em que atuo.
Temos a ausência de profissionais habilitados para realizarem o apoio necessário a essa clientela .O PPP e o Currículo da escola não prevêm a inserção dos alunos com necessidades especiais na sua elaboração, portanto não oferece condições para atendimento desses alunos na individualidade, que propicie o desenvolvimento de suas potencialidades,para que exerçam o direito à convivência e a igualdade ,para que ingressem e permaneçam na escola exercendo o seu direito de cidadão.
Serviço de Atendimento Especializado
Unidade 3
Na escola Caetano Gonçalves da Silva , no município de Esteio, que tem como mantenedora a Secretaria de Educação vinculada ao governo do estado do RS, o atendimento aos alunos portadores de necessidades educacionais especiais são realizados pela direção e professores da forma que é possível, pois não dispomos de nenhuma parceria e nem mesmo de uma orientadora educacional para auxiliar os alunos no que refere-se a problemas disciplinares ou comportamentais.
A direção encaminha os alunos para o seviço do munícipio através da Secretaria da Saúde, porém as necessidades são maiores que a oferta e os alunos esperam por meses para conseguirem atendimento com os especialistas da área médica.
Alguns pais conseguem com os próprios recursos buscar ajuda profissional para os filhos, mas a grande maioria depende do município ou deixa os filhos sem o atendimento adequado, vindo essa situação refletir na aprendizagem e qualidade de vida das crianças.
Estudo de Caso
1) Dados de Identificação:
Nome: (fictício) Artur
Idade: 13 anos e 2 meses
Série: 5º ano
2)Informações referentes à vida do aluno.
A mãe do aluno relatou que a gestação foi complicada.Engravidou aos 14 anos, era usuária de drogas, juntamente com o namorado, pai de Artur, tinham uma vida nômade, vendendo artesanato que fabricavam, se deslocando por várias cidades, morando em abrigos, passando fome e delinquindo.
Após o nascimento do menino,os vizinhos percebendo a miséria do local e a falta de atendimento ao recém-nascido acionaram o Conselho Tutelar e a guarda da criança ficou para a avó materna onde permaneceu até os 7 anos.
A mãe, já separada do pai , consegue emprego de doméstica e se distancia das drogas.O menino volta ao morar com ela e é matriculado na 1º série.Peregrinou por várias escolas e retornou para a nossa escola durante o ano de 2008.
3)Informações em relação à saúde física e psicológica:
Durante a 1º série, na observação de seu comportamento foi constatado dificuldades no relacionamento com os colegas, ora se isolava, ora mostrava-se agressivo, descontrolando-se por coisas banais, partindo para socos e pontapés, evidenciando sérias dificuldades de aprendizagem, não conseguindo a concentração mínima para a realização das atividades,Nesse período estava obeso, com 15 kilos acima do peso recomendável considerando seu tipo físico, estatura e idade.
A mãe foi chamada à escola e foi solicitado que encaminhasse o filho ao atendimento médico e psicológico adequados via secretaria de saúde do município, ficando na espera para atendimento durante um semestre.A mãe retirou o aluno da escola, matriculando-o em outra escola da rede estadual, retornando na 3º série.
4)Constituição da Família:
Mãe: 27 anos
Irmãos: 2 meninas (gêmeas- 6 anos ) e 1 menino (recém-nascido).Todos tem paternidade diferentes.
Lazer: assistir televisão, brincar na rua até às 01:30 com os amigos do bairro e jogar vídeo-game.O pai encontra-se em lugar ignorado.Aos domingos visitam a avó materna e os demais familiares não são referidos.
5)Aspectos referentes a aprendizagem:
O aluno possui déficit de atenção, dificuldades de memorização e baixa auto-estima. Apresenta também dificuldades de raciocínio lógico, tendo reprovado na 2º e 4º séries.
Devido a obsidade (abandonou o acompanhamento médico) tem dificuldades motoras, na realização das atividades físicas .
6)Providências efetivadas pela escola:
A mãe foi chamada novamente à escola várias vezes, através de bilhete, recado, pessoalmente e pela monitora da escola, e se comprometeu em levar o menino para ser atendido pela Secretaria de Saúde do municipio, considerando que suas dificuldades agravam-se e o impedem de ter uma vida com dignidade.
A questão relacional do aluno é delicada no que refere-se ao trato às pessoas que fazem parte do universo escolar pois o aluno apresenta altos e baixos no relacionamento com as pessoas.Ao mesmo tempo que é carinhoso e atencioso, por qualquer motivo se descontrola e ofende as pessoas.
Ele também não possui bom relacionamento com a maioria dos colegas, isola-se e elege para brincar sempre as mesmas crianças, regindo com agressividade quando os demais colegas tentam entrar na brincadeira.
As brincadeiras que prefere são as mais calmas: brincar com as cartinhas, de "bafo", em dupla, fla-flu e futebool de botão , todas as brincadeira que não necessitem atividades física.
A escola busca ajudá-lo através do encaminhamento ao profissional especializado, psicóloga e endocrinologista, através da Secretaria Municipal de Saúde, onde está se tratando e apresenta discreta melhora.No período que se encontra na escola, sempre que ele age com agressividade, ou sente-se isolado e com dificuldades o chamamos para conversar, para ouví-lo, o que o torna mais tranquilo.
Autismo
O conhecimento mais detalhado através das leituras e recursos da interdisciplina possibilitaram a identificação do autismo no aluno B, do 1° ano A, em minha escola. O referido aluno apresenta um comportamento introspectivo,no recreio ou recreação desconhece o perigo de algumas brincadeiras, solicita a realização das coisas que quer através de gestos e trejeitos, apresenta crises de choro e sente-se angustiado por motivos que as pessoas que o cercam, colegas e a professora, não conseguem entender,em sala de aula, ora manifesta-se com grande inquietude, ou ao contrário, fica retraído e não interage com as demais pessoas.O autismo manifesta-se antes dos três anos de idade e é mais comum nos meninos e não está necessariamente associado ao retardo mental, afetando as habilidades de comunicação e socialização, se manifestando por toda a vida, caracterizando um distúrbio do comportamento humano, não havendo cura para essa deficiência e desconhecendo-se a causa.
O aluno B realiza tratamento com profissionais da área médica e a mãe demostra enfrentar o autismo com tranquilidade.
A professora relata que apresenta sérias dificuldades de concentração e de motricidade fina e ampla, e que na realização dos trabalhos os colegas apressam-se em ajudá-lo, coisa que ele não aceita, preferido ficar sozinho ou sempre em companhia do mesmo coleguinha.
Durante a observação que realizei percebi que a grande preocupação do todos, professoras e coleguinhas reside na tentativa de mantê-lo tranquilo e protegido para que não se machuque.
UNIDADE 6 - DEFICIÊNCIA MENTAL
O aluno de inclusão que relatei em meu estudo de caso, se assemelha ao documentário da História de Peter, pois ele também está inserido em uma sala de aula de alunos ditos normais.
O aluno Artur apresenta déficit de atenção e procuro no cumprimento das tarefas não sobrecarregá-lo com atividades, oportunizando trabalhos que não exijam uma concentração muito grande ou demasiadamente longos, para que consiga manter-se concentrado e não se distraia na realização das tarefas.
Todas as atividades que são oferecidas aos demais alunos , são oferecidas a ele, porém são fragmentadas para que as realize sem desistir de terminá-las.
Artur necessita permanentemente de motivação e se interessa pelas atividades que tenham movimento, lúdicas, divertidas e alegres, construções sem graça ele despreza.
Em conversa com a turma firmamos comprometimento em ajudá-lo em suas dificuldades, valorizando sempre suas conquistas para que sinta-se fortalecido em sua auto-estima.
Procuro facilitar sua integração ao meio , respeitando suas dificuldades e limitações, acreditando em suas potencialidades e no que é capaz de produzir dentro de suas possibilidades.
Em todas as interelações, existem trocas e aprendizagens e a presença de um aluno especial , deve ser o momento de tomada de consciência, onde todos devem se apoiar mutuamente, na busca da solidariedade, que favoreça as trocas e aprendizagens, despertando dessa forma o sentimento de cooperação e a valorização das diferenças, possibilitando uma convivência rica e harmoniosa entre os envolvidos nesse processo.
UNIDADE 7
Avaliação
a)Que aproximação existe entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?
Infelizmente, existe uma grande distância entre as idéias do texto e o que é oferecido como instrumento avaliativo para o aluno NE.É feito o que é possível em sala de aula para minimizar suas necessidades.No entanto,a escola não tem apoio da mantenedora, pois o ideal é que fosse oferecido apoio pedagógico no contra turno, com atividades de reforço, adequadas às dificuldades relacionadas ao déficit de atenção que o aluno apresenta.Todo o esforço é feito em sala de aula, mas por não haver a concentração necessária no desenvolvimento das atividades, o aluno tem prejuízos na sua aprendizagem.Os textos estudados articulam sobre uma pré-identificação da dificuldade apresentada pelo aluno para que a sua dificuldade seja conhecida e constatado o grau de comprometimento.O aluno apresenta laudo médico.
b)Quais as contradições ao que foi observado?
As contradições sobre as observações que faço do cotidiano da sala de aula e os textos lidos, referem-se que a inclusão das diferenças ainda é feita sem compromisso, não resgatando a dignidade do aluno com necessidades especiais ,porque não oferece o que ele tem como direito, que é uma educação que possibilite o desenvolvimento integral de suas possibilidades, a acessibilidade e o respeito perante a convivência com o outro.
c)Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer discritivo, por exemplo)?
A avaliação ofertada ao referido aluno é realizada da mesma forma como é feita com os demais alunos, no que refere-se a qualquer tipo de avaliação formal (testes, trabalhos de pesquisas, provas ).As avaliações são trimestrais acompanhadas de parecer.
d) Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?
Acredito que não.Essa avaliação deveria ser adequada às reais possibilidades do aluno, onde pudesse realmente expressar efetivamente seus avanços, que certamente corresponderiam as suas condições de aprendizagem, obedeceriam o seu ritmo, garantindo dessa forma, o direito de ser avaliado de acordo com suas habilidades e competências.
Comments (6)
lenise.pead@... said
at 10:44 pm on Apr 21, 2009
Oi!
lenise.pead@... said
at 10:56 pm on Apr 21, 2009
Roseli, o relato de tua experiência (Unidade 1) com alunos com NEEs está apresentado de forma clara,mas faltou apresentar dados de identificação referentes a realidade de vida do aluno, da escola e do municíoio em que a escola está inserida. Dessa forma, podemos acompanhar melhor o caso que estás narrando.
A respeito da segunda atividade (Unidade 2) percebo dados mais consistentes. A sua preocuação em apresentar dados da legislação reforça atua angústia em transformar a realidade em que atuas. Que bom, já estas no caminho da transformação. Um ponto importnate, a ser refletido porti, refere-se ao fato do PPP da Escola não apresentar nenhum tipo de referência ao universo da educação inclusiva. Quem sabe por aí pode começar a mudança? O PPP pode e deve ser reformulado sempre que necessário. É preciso mobilizar o corpo docente da escola e encaminhar espaços para a discussão da temática educação inclusiva: palestras, seminários, plebiscitos, etc., enfirm ir à luta. Que tal o desafio?
Profª Lenise
lenise.pead@... said
at 11:00 am on May 22, 2009
Roseli, o relato do teu estudo de caso está bastante claro e expõe dados significativos sobre a realidade de alunos com NEEs em contextos escolares. Os apontamentos que fazes sobre possibilidades pedagógicas tb contribuem para enriquecer o teu dossiê de inclusão. A atividade referente aoas atendimentos especializados atende às expectativas propostas em nossa interdisciplina. Continue dedicada em tuas leituras e reflexões!
Porfª Lenise
lenise.pead@... said
at 9:13 am on Jun 15, 2009
Roseli o teu texto referente à Unidade 5 - autismo de nossa interdisicplina está bem fundamentado teoricamente e coloca a tua observação na perspectiva de uma postura investigativa tão importante nas práticas pedagógicas inclusivas.
Muito bem!
Profª Lenise
lenise.pead@... said
at 11:37 am on Jul 5, 2009
Roseli, realizaste uma boa reflexão teórica cumprindo os objetivos da Unidade de Estudos 6 com o teu texto.
Solicito que elabore um novo texto com as questões abaixo para realizar a Unidade 7 e finalizar o teu dossiê de inclusão:
12. Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?
13. Quais as contradições em relação ao que foi observado?
14.Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?
15. Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?
Estamos no aguardo
Profª Lenise
lenise.pead@... said
at 10:02 pm on Jul 7, 2009
Roseli:
Entendo que atingiste os objetivos propostos em nossa interdisciplina em relação à unidade 7. O teu dossiê de inclusão representa a tua trajetória intelectual ao longo desse semestre. Muito bem!
Porfª Lenise
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